Nos Passos… Um peregrinar nos tempos
Em 1911, o Cónego Benjamim Veríssimo da Silva deixou a sua casa e alguns dos seus bens para uma obra social para crianças ou idosos, que hoje é o “Centro de Assistência Social do Beato Nuno de Santa Maria” e que há 50 anos tem feito uma grande acção social na freguesia.
1945 – Abertura do Albergue Beato Nuno de Santa Maria. Onde Maria Violante e Maria Helena Guimarães ensinavam as crianças a bordar, lhes davam alguma formação religiosa e sobretudo um pouco de carinho. Em 1947 começaram os trabalhos de recuperação no edifício do Centro de Assistência Social.
1947 – Sra. D. Maria Violante em conversa com o Dr. José de Carvalho, Governador civil de Castelo Branco, sugere a remodelação do albergue e a criação de um Lactário.
1948 – Numa sala emprestada pelo Albergue Beato Nuno de Santa Maria abriu-se uma sala de pensos e vacinações, orientada pelo Dr. Lopes Dias e Dr. João Farraia e iniciou-se o funcionamento do Lactário com a Sra. D. Maria Violante, Maria Helena Guimarães e Perpétua Patrício. Em 12 de Maio de 1948 começaram a inscrever crianças, a 1ª Rosalina Felix de 3 meses com 3,5kg. As mães procuravam as meninas mandadas pelo Dr. Farraia “ as meninas ensinam-vos tudo!”
1950 – O Lactário passou a ter Estatutos próprios, aprovados pelo Senhor Subsecretário da Assistência Social. A 29 de Abril teve a 1ª Direcção constituída pelo Eng. Higino (presidente), Helena Guimarães (secretaria), e Maria Violante (tesoureira)
1952 – Depois de reprovar numa inspecção, o Albergue e todos os seus bens são integrados no Centro, o qual passou a denominar-se Centro de Assistência Social do Beato Nuno de Santa Maria. Reformulação dos Estatutos. Inicio das obras de reparação na casa e mudança das actividades para casa do Sr. Dr. Gualdim de Queiroz e Mello (pai da Sr. D. Maria Violante) durante a remodelação do Centro.
1952 – As vacinações estendem-se pelos lugares das 5 Freguesias integradas no partido médico de Cernache. Começo da Cantina Escolar com 52 crianças (na garagem do pai da Sra. D. Maria Violante).
1954 – Arranjo da primeira casa degradada, na Aldeia Velha.
Uma congregação Religiosa: O que nos conta Maria Violante de Queiroz e Mello: Quando cheguei ao Instituto de S. Pedro de Alcântara dirigido pelas Irmãs da Apresentação de Maria, fui recebida por uma Irmã já idosa, muito simpática, Irmã do Espírito Santo, que foi religiosa depois de viúva e é a Mãe da Irmã Maria Isabel. Muito comovida disse-lhe: “ Minha Irmã, eu sou uma desconhecida para a Madre, mas tinha a maior urgência em lhe falar, para que me ajude a resolver um grave problema.” A Irmã responde-me: “ A madre tem estado doente e não recebe ninguém, mas eu vou lá.” Pedi-lhe que pelo caminho fosse rezando a S. José. Mais tarde, contava-me a Madre Trindade, que a Irmã do Espírito Santo não tinha saído da sua frente sem ela dizer que me recebia. A Madre recebeu-me muito bem, gostou da obra mas disse-me que só dois anos mais tarde poderia mandar Irmãs. Respondi-lhe: “vou falar com o meu Irmão e esperamos esse tempo sem ir para a casa nova.” Dias depois voltei lá com o Higino, que ficou encantado com a Madre e combinámos esperar. Uns meses depois, veio a Portugal a fundadora das obras que as Irmãs da Apresentação têm em Moçambique, irmã de sangue da Madre Trindade. Indo as duas a Fátima, a Madre telefonou-me a dizer que gostava de ir a Cernache. Combinámos que as iria buscar no dia que regressassem a a Lisboa. Fui com a minha sobrinha Violante, pela manhã, buscá-las a Fátima, no dia combinado. A Irmã do Coração de Jesus gostou imenso do caminho que lhe lembrava a sua terra, a Madeira e até a Suiça, onde as duas tinham sido educadas. Almoçaram em nossa casa, viram a obra com muito carinho, lembrando algumas coisas que achavam fazer falta. Depois da merenda, o José Maranho, motorista dos meus Pais e a Violante foram levá-las ao Entroncamento. Conversaram todo o caminho em francês, mas a minha sobrinha que já o entendia, foi ouvindo a conversa. Ao chegar a casa, telefonou-me muito contente, porque a Madre Coração de Jesus dizia à Irmã: “não podemos perder esta obra tão dentro do espírito de Ana Maria Rivier.” Realmente, poucos dias depois recebia uma carta da Madre Trindade a dizer que mandaria ainda nesse ano as Irmãs. Fiquei louca de alegria. O meu Irmão telefonou ao Senhor Governador a dar a novidade e combinaram pedir ao Sub-secretário de Estado de Assistência para nos receber. No dia marcado, lá fomos os 3 convidá-lo e marcar o dia da inauguração. O Dr. Guilherme de Mello e Castro aceitou o convite e, consultando o calendário, disse: “para mim o dia 1 de Maio era um dia óptimo.” O meu irmão disse logo todo contente: “ Se para o Sr. Governador estiver bem, é um dia que gosto muito.” Mas graças a Deus que não disse que era o dia dos meus anos. A Irmã mandou duas irmãs que nos ajudaram, a por a casa a jeito. A Madre Trindade e a Irmã S. Fernando vieram na véspera, para assistirem à inauguração.
1ª Comunidade:
Superiora: Irmã Chantal Irmã Damasceno – Curso de educadora rural feito em França Irmã Santa Iria Irmã Santo Nome
1955 – Chegada das Irmãs da Apresentação de Maria. Inauguração das novas instalações – 1 de Maio As actividades já iniciadas voltam a ser exercidas no Centro. Iniciam-se as consultas de adultos e crianças. A Cantina Escolar já abrange 70 crianças. Abertura do Jardim-de-infância (16 crianças) e da Escola de Educação Doméstica (20 raparigas).
1957 – Assistência Pré-Natal ao domicilio, consulta de estomatologia.
1959 – Deu-se início a um consultório de estomatologia e de oftalmologia.
1962 – Inauguração do Posto Hospitalar: assistência Pré-Natal, consulta a grávidas, maternidade rural, consultas de oftalmologia, delegação do Instituto de Assistência à Família, consultas da Caixa de Previdência e Casa do Povo. 4 de Novembro é inaugurada a parte hospitalar devidamente mobilada graças à generosidade da Fundação C. Gulbenkian, foi convidado Ministro da Saúde que lembrou que se poderia fazer um cortejo de oferendas.
A irmã S. Vicente nessa altura, foi nomeada oficialmente Auxiliar Social do Instituto de Assistência à Família de Castelo Branco, tendo como sede, para toda a Zona do concelho da Sertã, o Centro. Trouxe novos conhecimentos da população de toda a região. A Irmã S. Vicente fez um grande trabalho, social nesta área. Não quero deixar de contar que neste momento uma coisa muito bonita que se fica a dever às nossas queridas Irmãs. Nessa altura, o centro vivia com muitas dificuldades financeiras, as Irmãs tinham um ordenado simbólico de 400 mensais. Quando a Irmã S. Vicente começou a receber o ordenado da I.A.F., julgo que mais de 2500§00, a Madre mandou-o entregar ao Centro. A irmã S. Vicente e eu íamos de jipe por aqueles lugares fora onde havia miséria, procurando encaminá-los e lavar alguma pequena ajuda. A Irmã conseguia, através do I.A.F., subsídios e bastantes reformas, embora na altura fossem muito pequenas, mas para quem não tinha nada, ajudava um pouco.
1963 - Centro de Extensão Agrícola do Pampilhal.
1964 – Inicio de um Jardim-de-infância no Porto dos Fusos e outro no Pampilhal.
1967 – Arranjo de 10 casas com o auxilio da Fundação Calouste Gulbenkian e outros beneméritos. ( Álbum organizado com as 10 casas arranjadas – feito pela Sr Maria Violante)
1968 a 1975 – Funcionamento da Telescola, um melhoramento para a Escola de Educação Doméstica. Passaram pela Escola de Educação Doméstica 390 raparigas. Das quais hoje: 11 Auxiliares de Enfermagem 2 Enfermeiras Gerais 5 Agentes Rurais 1 Auxiliar Social 1 Advogada 1 Curso de Dactilografia 18 Religiosas (2 já no céu) 4 Missionárias Leigas Muitas casaram outras emigraram
1969 a 1974 – Férias na praia para as crianças do Jardim-de-infância.
1975 – A inspecção encerra a Maternidade devido à f alta de Médico Parteiro. Os Centro deixa de ter secção de saúde, porque também as consultas passam a ser dadas por outra entidade.
1977 – Abertura do Centro de Dia para Idosos. O que nos conta Perpétua Patrício acerca da acção da Irmã Teresa do menino Jesus nessa área – dos escritos da Sr. D. Maria Violante
1995 – Contrato com o centro de Segurança Social para o começo do P. A. I. I. – Apoio efectivo domiciliário aos idosos nas 5 Freguesias: Cernache, Palhais, Nesperal, Castelo e Cabeçudo.
2000 – Um grupo de leigos, formado por membros da Assembleia-geral e do Concelho Fiscal, começou a pensar na necessidade da construção de um Lar.
2005 – Foi lançada no dia 1 de Maio a 1ª Pedra do Lar “Cónego Benjamim” |









